Desculpa moça, foi brincadeira!

Bom diaaa!!

Pessoas lindas, o post hoje vai ser um tico diferente do que geralmente faço, acho que posso dizer que hoje será muito mais um desabafo, mas que talvez não se caracterize como tal…. Enfim! Quem não me conhece não sabe como os textos são escritos, alguns vem como uma forma de dividir com vocês o pouco do meu conhecimento adquirido através dos meus estudos e atendimentos, e outros vem da vontade de não se calar perante as situações que ocorrem em nosso país, como o post sobre relacionamento abusivo e o de hoje.

Eu não sei vocês, mas tentei acompanhar de “perto” o caso da Susllem Tonani semana passada, no melhor estilo Netflix de ser, mas na versão lida da coisa… Eu não vou discorrer a respeito do acontecimento em si porque todos já sabem e ficaria no mínimo chato de ler, eu mesma não leria mais do mesmo! Eu quero falar é de outra coisa, uma outra coisa que também é muito importante, mas que não sei o quanto foi discutido.

Fato é que estamos vivendo uma fase de muitas mudanças em relação ao papel e posicionamento da mulher, o que é escolha da gente e o que é imposto pela nossa sociedade, que sim, ainda é muito machista. Não vou falar de feminismo e nem do empoderamento feminino, acho sim que todas as mulheres têm poder, nascemos com isso como todas as outras pessoas, porém acredito que infelizmente muitas têm esse poder tolhido.

Eu quero falar mesmo é da tal carta aberta liberada como um pedido de desculpas, porém pra isso devemos entender que a situação que encontramos hoje não começou ano passado, começou desde que o mundo é mundo, reproduzimos comportamentos e muitas vezes não nos questionamos a respeito das consequências dos mesmos, deixamos a empatia de lado e egoisticamente beneficiamos apenas nossa satisfação, ainda que seja de forma cruel e desumana, menos quando é disfarçada de “brincadeira”, nesse caso tudo bem, é brincadeira, né? Não, não é!

O assediador, no caso mencionado acima, é sim fruto de uma aprendizagem falha e extremamente machista, que por séculos empurrou goela abaixo a supremacia de uns em detrimento do bem-estar e liberdade de outros. Sim, somos frutos do ambiente, mas não somos somente isso, somos também o aprendizado por observação, que são aquelas situações com consequências negativas que acontecem com os outros e que nos servem de exemplos… Só tem um pequeno detalhe aqui: que exemplos? Assédio é crime, mas nossa sociedade ainda reforça muito comportamentos inadequados advindos de homens que se retratam como macho alfa e fazem questão de espalhar isso aos quatro cantos. Quer ver? As consequências em relação a um dos integrantes da atual edição do Big Brother Brasil só foram aplicadas após apelo público, uma vez que quem teria poder para denunciar se calou e esperou, mesmo depois de toda agressividade mostrada pelo participante. “Palmas pra ação da polícia!”, eu diria palmas pra população que exigiu que alguma providência fosse tomada.

Sempre tem: “Nossa, Cláudia! Mas o cara nem fez nada, só gritou com ela, e mais, a menina é muito chata, desequilibrada! ” Sério mesmo? O fato de ter encurralado, gritado, enfiado o dedo na cara, acuado, não significa nada? Não existe justificativa para se comportar assim com alguém, ainda que a outra pessoa seja chata ou desequilibrada. Não tá conseguindo conversar? Cara, se afasta, espera os ânimos se acalmarem, aí sim a gente tenta conversar de novo.

Utilizar de uma criação falha ou da cultura da mulher coisificada para justificar um crime é um erro, escrever cartas abertas pedindo desculpas é outro… Crime deve ser tratado como tal, porém infelizmente é não é bem o que acontece, e assim normalizamos mais uma vez uma situação tão podre como essa. Dessa forma, aliviamos para aqueles que deveriam ser punidos e que serviriam de exemplo.

Um tapinha não dói, desde que seja consentido! Uma passada de mão não é ruim, desde que seja consentida! Um puxão de cabelo pode ser gostoso, desde que seja pedido e aceitado! Qualquer comportamento que NÃO seja consentido perde completamente seu efeito positivo, além de diminuir e humilhar o outro.

Susllem, Brenda, Luiza, Sandra, Karoline, eu e você, somos todas assediadas quando nos calamos perante as situações do dia-a-dia que muitas vezes são chamadas de brincadeiras e retratadas em cartas com pedidos de desculpas. Se você for vítima de qualquer tipo de assédio ou abuso procure ajuda profissional e denuncie, não se cale, não tenha medo! Já dizia Clarice Lispector: “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”. Mexeu com uma, mexeu com todas!

Claudia Santos

Claudia Santos

Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário de Brasília – UniCEUB, com formação em Terapia Sexual pela Clínica Integrada de Psicologia e Sexologia – CIPS. Se apaixonou perdidamente pela Psicologia Clínica e atende adultos e casais na Equilibrium Clínica de Psicologia. CRP 01-15472.

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